Aqui você é bem vindo, pode acreditar! ;-)

quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Meu filho é gay, e agora?



O título deste artigo reproduz a pergunta angustiada que muitos pais e mães se fazem quando eventualmente descobrem que seu filho ou filha é homossexual. Recentemente, o assunto veio à tona quando o apresentador Marcelo Tas revelou como lidou com a transexualidade da filha Luiza, que agora responde como Luc. Seu filho pode ter te contado, ou você pode ter descoberto que ele é gay ao espionar sua vida privada. O fato é que saber que o filho é gay é algo em geral chocante. Cada vez menos chocante, é verdade, em virtude do fato de que vivemos numa época mais esclarecida no que diz respeito a questões sexuais. Informação é que não falta para que as pessoas compreendam melhor coisas que seriam muito mais difíceis de serem compreendidas décadas atrás.

Mas vamos lá. Seu filho é gay. E agora? A resposta é simples na teoria, mas será preciso esforço consciente para incorporá-la: e agora, o fato é que ele continua a ser seu filho. Nada mudou neste quesito e, acredite, fazer chantagem emocional ou discurso religioso não fará seu filho deixar de ser homossexual. No máximo, ele aprenderá a mentir para você, o que, convenhamos, sai completamente do projeto de um relacionamento familiar saudável.

Alguns pais expulsam seus filhos de casa ou realizam reprimendas em graus variados. Há até quem bata no filho adolescente, ou lhe tolha a liberdade. No fundo, atitudes deste tipo derivam da fantasia mais absurda. Tem pai e mãe que acha que se impuser castigos variados aos filhos, eles "deixarão de ser" aquilo que efetivamente são. Desculpe, mas se você pensa assim, é engano seu. No máximo, você conseguirá criar um mentiroso. E isso se ele quiser continuar perto de você, porque há filhos que simplesmente somem da vida de seus pais chantagistas, tão logo conseguem se virar sozinhos. Em uma página de uma rede social "Homofobia Já Era", há incontáveis relatos de pessoas homossexuais que perderam totalmente o contato com seus pais e foram viver suas vidas. Se para eles isso é triste, imagine para os pais... De que maneira então você pode evitar a destruição de seu relacionamento com seu filho querido?

ENTENDENDO A HOMOSSEXUALIDADE
O LADO DOS PAIS

Em primeiro lugar, esqueça "opção sexual". Você ouvirá esta expressão corriqueiramente na mídia e até mesmo em livros aparentemente especializados. Em geral, quem usa tal expressão não o faz por maldade, mas um olhar mais apurado demonstra quão infeliz é esta frase. Se preferência sexual fosse uma opção, ninguém optaria por ter um gosto que converte a pessoa quase que automaticamente numa vítima do preconceito social. Pense: você optou por gostar do sexo oposto? Não foi assim, não é mesmo? Você paulatinamente foi descobrindo que se interessava pelo sexo oposto. Adivinhe? Com homossexuais é a mesma coisa! Eles gostam do mesmo sexo, pela mesma razão misteriosa que faz com que a maioria das pessoas prefira o sexo oposto.

O fato é que ninguém, absolutamente ninguém sabe o que faz uma pessoa se interessar pelo mesmo sexo ou pelo oposto. Não existe nenhuma comprovação científica de que a causa seja genética ou psicológica. Até mesmo Sigmund Freud, pai da psicanálise, a quem erroneamente se atribui a idéia de que a homossexualidade tem origem na criação, escreveu claramente em sua obra: o mais provável é que a sexualidade humana, como tudo no ser humano, seja multicausal. Não há uma causa, mas sim várias, e elas provavelmente são diferentes para cada ser humano. De todo modo, independentemente de quais sejam as causas, o filósofo francês Michel Foucault disse certa feita - e muito bem dito - que mais do que uma explicação para os gostos sexuais, o que os seres humanos mais precisam é de uma arte do bem-viver. A arte do cuidar de si. E "cuidar de si" é uma prerrogativa para todos os seres humanos, sejam eles homo, hetero ou bissexuais.

Aí você pode argumentar e dizer: "não quero que meu filho sofra neste mundo preconceituoso". Vou te contar uma coisa que não é segredo algum e deveria ser óbvio: é impossível impedir as pessoas de sofrerem. É inviável eliminar a possibilidade do sofrimento da vida de um filho. E digo mais: é doentio fantasiar uma proteção paterna ou materna que ultrapasse as fronteiras da vida adulta de seu filho. Isso não apenas infantiliza seu filho, como cria uma relação patológica entre vocês. Além disso, você já parou para olhar ao redor do mundo hetero? As pessoas deixam de sofrer por serem heterossexuais? E se você acha que no caso dos homossexuais há mais sofrimento, eu lhe digo que isso só é verdade enquanto a maioria das pessoas pensar como você.

Outro sofrimento comum é pensar "ai meu Deus, não vou ter netos!". Bem, seu filho ou filha é homossexual e não estéril. Homossexuais podem perfeitamente se reproduzir, seja através da inseminação artificial, seja por intermédio do sexo desprazeroso, cuja finalidade é unicamente reprodutiva, ou podem até realizar um dos atos mais generosos e belos, que é adotar uma criança. Há milhões de crianças sem família à espera de pais sem filhos. E mesmo que seu filho fosse heterossexual, quem garante que ele seria pai? E se ele for um heterossexual que detesta a ideia de cuidar de crianças? Ter ou não ter netos não deveria ser um argumento de chantagem contra o desejo amoroso verdadeiro de seu filho ou filha. Se você quer cuidar de crianças novamente, que tal adotar uma ao invés de impor seu sonho aos outros?

Você também pode achar - e isso é muito comum - que seu filho ou filha pensa que é homossexual porque nunca experimentou o sexo oposto. Em primeiro lugar, como é que você sabe que ele nunca experimentou? E ainda que nunca tenha experimentado, é falso supor que tal coisa seja necessária. Se ele tiver que fazê-lo, o fará por livre e espontânea vontade, no dia que sentir o desejo. Sexualidade como obrigação é a via direta para o sofrimento.

Por fim, há a questão religiosa, que é parte importante na vida de muitas famílias. Religiões diferentes abordam a questão da homossexualidade das formas mais distintas: há as que aceitam, as que condenam e as indiferentes ao tema. Alguns autores, como o padre Daniel Helminiak, autor do livro "O que a Biblia realmente diz sobre a homossexualidade", mostram que podem existir interpretações diferentes para este assunto.

O Brasil é um país onde ser homossexual gera bem menos problemas do que em outros lugares. Em nosso país, uma pessoa homossexual pode deixar pensão para seu companheiro ou companheira, pode adotar crianças, pode realizar união civil... Os homossexuais têm muitos direitos conquistados e, muito embora ainda faltem tantos outros, grandes passos já foram dados e continuarão a ser.

Deste modo, se você realmente se preocupa com a possibilidade de seu filho "sofrer mais" por ser homossexual, esforce-se para não ser você mais uma razão para sofrimento na vida dele. Em geral, pessoas homossexuais aprendem a não ligar para eventuais manifestações de preconceito. Alguns até reagem e ensinam grandes lições aos preconceituosos. Mas quando o preconceito vem da própria família, principalmente dos pais, este tipo de sofrimento é quase irrecuperável. Gera mágoas profundas e feridas difíceis de cicatrizar. Não é à toa que a incidência de tentativas de suicídio é maior entre gays - não é porque eles são gays que tentam se matar, é por causa dos pais que não os aceitam como são! Você, que deu a vida a seu filho, pense no horror que seria tornar-se provável colaborador da causa de sua morte. Você, que deu a vida a seu filho, pense em como será maravilhoso colaborar para sua felicidade. E não há maior felicidade do que poder ser aquilo que se é, com o apoio daqueles que dizem nos amar.

Deste modo, eu lhe digo: e agora? E agora, aceite. Acostume-se. Seu filho é o que é, e o que ele é vai muito além de uma extensão sua. Ele não é um robô, não é um projeto. É uma pessoa com desejos próprios. Admire-o por isso. E não apenas "tolere" sua preferência sexual. Respeite-a.

Nossos filhos não são nossos filhos...
São os filhos e filhas da vida desejando a si mesma.
Eles vêm através de nós, mas não de nós,
E embora estejam conosco, não nos pertencem.
Nós podemos lhes dar nosso amor, mas não seus pensamentos,
Pois eles têm seus próprios pensamentos,
Nós podemos abrigar seus corpos, mas não suas almas,
Pois suas almas vivem na casa do amanhã,
que nós não podemos visitar, nem mesmo em seus sonhos.
Nós podemos lutar para ser como eles,
mas não perduraremos- nos torná-los iguais a nós.
Pois a vida não volta para trás, nem espera pelo passado.
Nós somos o arco de onde nossos
filhos são lançados como flechas vivas.

(Kahlil Gibran, poeta e filósofo)

domingo, 17 de janeiro de 2016

AIDS, doença de Gays?

Vírus HIV infecta mais grupo dos heterossexuais, diz estudo

Eles representam 67,5% dos casos, sendo a maioria formada por mulheres

Sílvia Almeida, portadora do vírus HIV e organizadora de campanhas de prevenção
POR CLEIDE CARVALHO E GUSTAVO URIBE
05/03/2014 7:00 / atualizado 05/03/2014 13:41

SÃO PAULO - Heterossexuais adultos representam a maior parcela nas novas notificações de infecção pelo vírus HIV. Em 2012, 67,5% dos casos informados pela rede de saúde pertenciam ao grupo de heterossexuais, sendo a maioria formada por mulheres, com 58,2%. O levantamento também mostra que a maior incidência de contaminação está na faixa de 30 a 49 anos, incluindo héteros e homossexuais. Os grupos vulneráveis, somados, responderam por um terço nas notificações. O Rio é o quarto estado com maior incidência do vírus: 28,7 por cem mil habitantes, acima da média nacional, que é de 20,2. A maior taxa do país está no Rio Grande do Sul, de 41,4, seguido por Santa Catarina (33,5) e Amazonas (29,2), segundo levantamento do sociólogo Júlio Jacobo Waiselfisz, com base nos dados do Ministério da Saúde.
- Fazer sexo sem preservativo é roleta-russa. Não se fala mais em grupo ou comportamento, mas em exposição de risco. A cada mil pessoas no Brasil, quatro a seis estão infectadas pelo HIV. Parece pouco, mas, quando se calcula pelo total da população, chegamos a cerca de um milhão de pessoas portadoras do vírus. E pelo menos um terço delas ainda não sabe - afirma o infectologista Alexandre Barbosa, da Faculdade de Medicina da Unesp-Botucatu e membro da Sociedade Brasileira de Infectologia.
As pessoas que não fizeram o teste e não sabem se são portadoras do vírus podem variar de 150 mil, número usado pelo governo, a 300 mil. Os heterossexuais que se descobriram recentemente portadores do HIV compõem uma espécie de retrato da evolução da epidemia no país. Eles foram contaminados cinco, dez anos atrás. Como nunca se perceberam vulneráveis, a descoberta ocorre por acaso.
Silvia Almeida, de 50 anos, descobriu que o marido era portador do vírus em 1994. Os dois estavam casados há 10 anos e tinham dois filhos. O sinal vermelho surgiu quando ele teve tuberculose:
- Foi um choque, a gente tinha uma relação muito boa. Éramos um casal feliz e com filhos. Na época, falava-se muito de grupo de risco, e nós não éramos grupo de risco.
Quatro meses depois, Silvia fez o teste e descobriu que era portadora do HIV. Para ela, ter contraído o vírus parecia certeza, já que o casal não usava preservativo. O teste feito no filho do casal, na época com apenas 1 ano, deu negativo.
Silvia acha provável que o marido tenha sido infectado em uma relação extraconjugal ou antes do casamento, uma vez que o vírus pode permanecer incubado por mais de dez anos. Em 1996, ele morreu. Silvia tinha 32 anos e uma certeza: precisava se manter viva para cuidar dos filhos.
- Minha reação foi aprender a viver com o HIV - diz Silvia, que passou a frequentar o Grupo de Incentivo à Vida e coordena projetos de prevenção e programas de apoio e palestras.
M. E. S., de 59 anos, moradora de Osasco, na Grande São Paulo, descobriu ser portadora do HIV em 1990, quando teve endocardite, infecção que acomete o coração:
- Descobri a presença do vírus nos exames pré-operatórios. Como estava com imunidade muito baixa, não pude ser operada.
O pico de mortes por Aids no mundo, com 2,5 milhões de óbitos, ocorreu em 2005. Em 2012, os óbitos somaram 1,7 milhão. Segundo Barbosa, a redução das mortes ocorreu depois que os medicamentos se tornaram disponíveis nos países da África. Atualmente, a cada ano cerca de três milhões se descobrem portadoras do vírus. O saldo é de cerca de 35 milhões de pessoas convivendo com HIV. A epidemia é considerada estabilizada.
Com bancos de sangue sob controle, transmissão vertical (gestante/bebê) reduzida e casos residuais de contaminação por uso de droga injetável, a transmissão do HIV nas relações sexuais concentra as atenções. Para identificar os portadores, o Ministério da Saúde aumentou o número de testes distribuídos de 8,8 milhões em 2013 para 10 milhões este ano.
- Quem tem vida sexual ativa e nunca fez teste, é melhor fazer - diz Jarbas Barbosa, secretário de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde.
Apesar do grande número de heterossexuais contaminados, a principal preocupação do ministério hoje é com a leva de jovens que tem contraído o HIV. Recém- iniciados na vida sexual, eles não viveram o período em que contrair o vírus significava uma sentença de morte.
- Os jovens estão se contaminando agora, em tempo real. Ele se sente imune. É impulsivo e tende a tomar menos cuidado - explica Barbosa.
Segundo o secretário, outro indicador importante é a velocidade de transmissão, que tem sido maior em alguns grupos populacionais vulneráveis, como jovens gays, homens e mulheres profissionais do sexo e travestis. Rio e Rio Grande do Sul estão entre os estados que passaram a receber unidades móveis de saúde, para que os testes sejam realizados em locais de balada ou em pontos de encontro desses grupos.
No Rio, o superintendente de Vigilância Epidemiológica e Ambiental da Secretaria estadual de Saúde, Alexandre Chieppe, reconheceu que o atual patamar de incidência do vírus HIV no estado é alto e lembrou que, no período de maior difusão do vírus no país, o Rio foi um dos estados mais afetados. Segundo ele, a trajetória de queda iniciada há 15 anos foi interrompida, e a taxa de incidência estabilizou há 5 anos.
- Vamos aos lugares onde eles estão. Muitos não procuram os serviços de saúde, seja porque trabalham à noite e dormem de dia, como prostitutas e travestis, ou pelo estigma - diz Barbosa.
Em São Paulo, o número de jovens entre 20 e 24 anos que contraiu HIV cresceu 29% entre 2007 e 2012: de 489 para 631 casos. Artur Kalichman, coordenador adjunto do Programa DST/Aids, afirmou que o foco se voltou novamente para a comunidade gay. O estado vai começar um teste-piloto em grupos de altíssimo risco, que usarão o medicamento como profilaxia. Numa exposição eventual ao risco, é possível ser medicado durante 28 dias após o ato sexual. Em casos de exposição contínua e de alto risco, é possível também receber medicação contínua ainda que não tenha sido identificada a presença do HIV.
- HIV não tem preconceito. É bom que a gente não tenha - diz Kalichman



Fonte: Leia mais sobre esse assunto em http://oglobo.globo.com/brasil/virus-hiv-infecta-mais-grupo-dos-heterossexuais-diz-estudo-11785561#ixzz3xW0zImJF
© 1996 - 2016. Todos direitos reservados a Infoglobo Comunicação e Participações S.A.

Ator de 'Teen Wolf' assume homossexualidade


Charlie Carver tem 27 anos  |  INSTAGRAM

"'Eu sou gay'. Disse-o para mim mesmo primeiro. Tinha 12 anos", admitiu Charlie Carver no Instagram

Esta imagem foi partilhada cinco vezes no Instagram por Charlie Carver, um dos gémeos da série Teen Wolf, Na legenda das mesmas contou, ao pormenor, a sua história de vida e o que o levou, agora, a admitir a sua homossexualidade.

"Sê quem precisas de ser quando és jovem", começa por escrever o ator, de 27 anos. "Há cerca de um ano, vi esta fotografia por acaso enquanto fazia scroll no meu Instagram. Gravei-a. Olhava para ela quase diariamente. E ao fim de um ano, tornou-se claro porque é que a imagem inspirada me cativou. Quando era um rapaz, sabia que queria ser ator. Foi por volta dessa altura que também soube, embora abstratamente, que eu era diferente de alguns dos outros rapazes da minha turma. Com o passar do tempo, este "saber" abstrato cresceu e articulou-se através de uma dolorosa gestação, marcada por sentimentos de desespero e alienação, que terminou comigo a dizer três palavras em voz alta: 'Eu sou gay'. Disse-o para mim mesmo primeiro, para ver como me sentia. Soava verdadeiro e odiei-me por isso. Tinha 12 anos. Demoraria alguns anos até conseguir repetir essas palavras para outra pessoa", revelou.
Na imagem seguinte, Carver explicou o quão sortudo se sente por a sua família o ter apoiado. "Para mim, e para a minha família, foi uma conversa preciosa, na qual senti que tinha começado a aceitar-me a mim mesmo, à minha vida", recordou.
Apesar de, agora, assumir abertamente a sua orientação sexual, o ator, que juntamente com o seu irmão gémeo integrou o elenco de Donas de Casa Desesperadas, frisa que não quer que isso o defina. "Não queria ser definido pela minha sexualidade. Claro, sou um homem gay orgulhoso, mas não me identifico como um homem gay, ou apenas gay".
E terminou a ronda de publicações com uma referência divertida ao seu irmão Max. "Que fique registrado que o meu irmão gémeo é tão fixe como eu ao ser heterossexual".
Fonte: http://www.dn.pt/pessoas/interior/ator-de-teen-wolf-assume-homossexualidade-4977159.html. Acesso em 17/01/16 às 12:59

sábado, 16 de janeiro de 2016

10 razões pelas quais o inferno não existe

A crença no inferno é popular e faz parte da percepção básica da religião na cultura cristã. No entanto, alguns dizem que a evidência de tal castigo eterno é praticamente inexistente. Confira os dez argumentos abaixo e diga o que você acha:

10. A Bíblia mal menciona algo como o inferno

De acordo com Romanos 6:7, “todo aquele que morreu já foi justificado do pecado”. Se os pecados de uma pessoa são apagados com a sua morte, por que existir a punição adicional do inferno?

Romanos 6:23 prossegue, afirmando que “o salário do pecado é a morte, mas o dom gratuito de Deus é a vida eterna por intermédio de Cristo Jesus, nosso Senhor”. Note que não há nenhuma menção dos pecadores sendo condenados à tortura eterna; eles simplesmente não recebem a recompensa por uma vida justa.
Da mesma forma, 2 Tessalonicenses 1:9 diz que “Eles sofrerão a pena de destruição eterna, a separação permanente da presença do Senhor e da majestade do seu poder”. 
Ou seja, a punição para aqueles considerados ímpios não é tortura de fogo, mas a destruição.
João 3:36 afirma algo parecido. “Quem crê no Filho tem a vida eterna; aquele que não crê no Filho não verá a vida, mas a ira de Deus permanece sobre ele”.

Enquanto isso, Judas 1:7 menciona “fogo eterno”, mas apenas no contexto de Sodoma e Gomorra, literalmente destruídas pelo fogo eterno da ira de Deus.
Algo remotamente parecido com a visão de “inferno” da cultura popular aparece em breves menções no Livro do Apocalipse e duas das parábolas de Cristo. Mas se um lugar de tormento eterno foi realmente concebido como um componente integral do cristianismo, não é estranho que a Bíblia nunca parece prestar atenção a ele?

9. Interminável castigo não faz sentido bíblico

De uma perspectiva cristã, a ideia do inferno não é apenas cruel e incomum, bem como totalmente excessiva. Será que um Deus descrito na Bíblia como verdadeiro, justo e correto aprovaria algo como punição eterna?
1 João 4:8 diz que “Aquele que não ama não conhece a Deus, porquanto Deus é amor”. Será que um Deus que é o próprio conceito de amor torturaria eternamente um filho Seu como castigo, mesmo que ele tivesse feito algo ruim?
Deuteronômio 19:21 afirma: “Portanto, não considerarás com piedade esses casos: alma por alma, olho por olho, dente por dente, mão por mão, pé por pé!”. Tal sanção de igualdade parece um pouco fora de sincronia com a ideia de uma angústia literalmente infinita.
O inferno popular parece ainda mais bizarro depois de considerar as palavras de Deus em Jeremias 7:31: “Eles construíram o alto de Tofete no vale de Ben-Hinom, a fim de queimarem seus próprios filhos e filhas como holocausto, sacrifício que jamais ordenei e nem sequer pensei em requerer”. Se a ideia de seres humanos sendo queimados é tão desagradável para Deus que nunca sequer entrou em Seus pensamentos, o que diria Ele então do inferno?

8. Muitas referências ao inferno foram erros de tradução

Quando se trata de equívocos sobre o inferno, a popular versão da Bíblia do rei Jaime, do século 17, é campeã. Nela, o profeta Jonas esteve na “barriga do inferno”, enquanto Davi insiste que Deus estaria com ele mesmo no inferno. Até Jesus aparece no inferno após a sua morte na cruz. Isto, obviamente, não faz sentido.
A Bíblia afirma repetidamente que o inferno, o que quer que seja, envolve a separação de Deus. Então, por que Jesus aparece por lá e Davi está tão seguro de que Deus estaria com ele lá?
A resposta é que essa versão traduziu um monte de diferentes palavras gregas e hebraicas sob o termo “inferno”. As palavras em questão são Hades, Sheol, Tártaro e Geena, com significados muito diferentes em seu contexto original. Por exemplo, Hades e Seol, que são palavras mais ou menos equivalentes em grego e hebraico, não podem nem razoavelmente ser traduzidas como “lugar de tormento”, algo que a palavra “inferno” geralmente implica. Uma tradução melhor seria “sepultura” ou “vida após a morte”. Esses termos sequer carregam um juízo de valor como o do “inferno”, uma vez que somente os ímpios vão para o inferno, mas todas as almas vão para Sheol após a morte.
A Nova Versão Internacional da Bíblia faz uma referência muito menos dramática de certas passagens. Ela se refere ao inferno somente 15 vezes, em comparação com 54 menções na Bíblia do rei Jaime. Ainda assim, muita confusão e desentendimento foram causados pelos primeiros tradutores da Bíblia.

7. Geena é controversa

Já explicamos que “Hades” e “Sheol” não correspondem à percepção moderna do inferno. “Tártaro” é também ocasionalmente traduzido como “inferno”, mas o termo só aparece uma vez na Bíblia, e não em relação aos seres humanos, por isso tem pouca relevância. E quanto à “Geena”?
Esse é certamente o termo bíblico mais traduzido como “inferno”. Por exemplo, a Nova Versão Internacional de Mateus 5:30 afirma: “E, se tua mão direita te fizer pecar, corta-a e atira-a para longe de ti; pois te é melhor que um dos teus membros se perca do que todo o teu corpo seja lançado no inferno”. Assustador, não? Tudo se resume à controvérsia sobre o significado exato de “Geena” expressa aqui como “inferno”.
A palavra em si é uma tradução grega dos termos hebraicos “ge-hinnom” e “ge-ben-hinnom”, que significam “vale dos filhos de Hinom” e se referem a um vale real próximo a Jerusalém antiga. O vale aparece pela primeira vez no Antigo Testamento como a localização de sacrifícios pagãos de crianças, que continuam pelo menos até 2 Reis 23:10, que descreve como Josias destruiu o lugar de tal ordem que “ninguém mais conseguiu sacrificar ali seus filhos e filhas, queimando-os em adoração ao deus Moloque, como era costume se fazer”.
Uma explicação é que, na época de Jesus, o termo Geena foi aparentemente usado metaforicamente para se referir a um lugar de destruição. É interessante notar que o hebraico não tem nenhuma palavra para tal conceito e Jesus aparentemente não sentiu necessidade de introduzir um, preferindo fazer alusões históricas.
Ou então, segundo alguns estudiosos, o vale de Geena tornou-se de fato um lugar essencialmente incinerador na época de Cristo. Ele constantemente consumia o lixo da cidade e os corpos de criminosos e desonrados. Esta tradição é bastante antiga, mas não é suportada por qualquer evidência ou relatos antigos. Em qualquer caso, nenhuma das referências de Cristo a Geena sugerem qualquer tipo de tormento eterno. Remover os injustos da existência, como os versículos sugerem, não soa particularmente parecido com torturá-los para sempre.

6. Jesus não inventou parábolas sobre o inferno

A ideia de um inferno de fogo é quase completamente alheia à Bíblia, exceto por algumas menções incluindo a parábola do homem rico e Lázaro, conforme registrado em Lucas 16:19-31.
Na história, um homem rico ignora a vida toda um mendigo, chamado Lázaro. Mas o par de experimenta uma inversão de papéis após suas mortes, quando Lázaro é levado pelos anjos para uma existência feliz no seio de Abraão, enquanto o homem rico se vê atormentado em um fogo ardente. O homem rico implora a Lázaro para ter pena dele e trazê-lo um pouco de água, mas Abraão ressalta que o homem rico viveu uma grande vida e nunca teve pena de Lázaro. Abraão também se recusa a ressuscitar Lázaro para avisar a família do homem rico para mudar suas maneiras, argumentando que eles podem optar por seguir os profetas ou não, mas testemunhar um milagre não vai de repente transformá-los em boas pessoas.
Este é provavelmente o mais próximo que a Bíblia chega da concepção moderna do inferno. No entanto, é importante notar que a Bíblia não apresenta essa parábola como uma história verdadeira ou uma advertência direta sobre a vida após a morte. As parábolas de Cristo são claramente histórias fictícias destinadas a transmitir uma mensagem.
O conto do homem rico e Lázaro é precedido pela parábola do mordomo infiel, onde um servo defrauda seu mestre e é recompensado por isso. Se você ignorar o significado mais profundo das parábolas, concluirá que Jesus achava que roubar de seu chefe era uma coisa boa.
Só que, na verdade, essas parábolas nem sequer foram criadas por Jesus. Estudiosos há muito identificaram o esboço geral dessa história de Lázaro (o mendigo recompensado após a morte, enquanto o homem rico é punido) como um conto popular egípcio conhecido de instrutores religiosos judeus, como os fariseus, ao ponto da literatura judaica primitiva conter pelo menos sete versões da narrativa.
No relato de Lucas, Jesus só conta a parábola do homem rico depois que os fariseus zombam de sua parábola original do mordomo infiel, usando uma de suas próprias histórias favoritas para demonstrar a hipocrisia de tais fariseus.


5. Vários versículos sobre um lugar como o inferno não são conclusivos

A Bíblia contém uma referência à tortura de fogo eterno em Apocalipse 20:10-15: “Eles serão atormentados dia e noite pelos séculos dos séculos”. Mas quem são “eles”? Coisas como o Diabo, a Besta e o Falso Profeta, que não são pessoas reais. Em outras palavras, tal referência é um simbolismo.
Existe também a parábola da ovelha e dos bodes, como encontrada no Livro de Mateus. Na história, Jesus aparece para falar do Juízo Final: “Ide para o fogo eterno, preparado para o Diabo e os seus anjos”. A parábola termina com uma aparente referência ao tormento sem fim: “Sendo assim, estes irão para o sofrimento eterno, porém os justos, para a vida eterna”.
Essa passagem é considerada a chave por trás da concepção popular de inferno. No entanto, muitos teólogos argumentam que essa interpretação contradiz uma série de outros versículos da Bíblia que explicam o destino dos ímpios no Juízo Final como a destruição através da “segunda morte”.
Se os injustos são destruídos, eles não podem ser atormentados para sempre. Alguns estudiosos bíblicos argumentam que, enquanto o fogo da punição é descrito como eterno, isso não significa que os ímpios serão punidos por toda a eternidade. Em outras palavras, a punição eterna (“aionios kolasis”) dura para sempre, mas a própria punição é simplesmente destruição imediata.
Testemunhas de Jeová e outros grupos que não acreditam no inferno vão ainda mais longe, argumentando que a palavra kolasis não deve ser traduzida como “punição”. Citando sua derivação de um termo grego para “poda de árvores”, eles sugerem que seria melhor traduzida como “corte”, “destruição” ou mesmo “morte”. A última interpretação transformaria “aionios kolasis” em “morte eterna”, um agradável contraste com a “vida eterna” prometida aos justos.
O termo “kolasis” só aparece duas vezes no Novo Testamento, mas o Velho Testamento em grego usa a palavra para se referir a punição em geral, e a morte como uma forma de punição, sugerindo que “punição eterna” e “morte eterna” são duas traduções válidas.

4. Mesmo os primeiros padres não concordavam sobre a existência do inferno

Nem mesmo os primeiros padres das igrejas cristãs primitivas concordavam em seus conceitos sobre o inferno. Justino Mártir, Clemente de Alexandria, Tertuliano e Cipriano estavam entre aqueles que consideravam que o inferno era um lugar literal de tormento ardente. Orígenes e Gregório de Níssa discordavam, dizendo que o inferno era simplesmente a separação de Deus.
Embora a ideia de condenação eterna de fogo possa ser encontrada tão cedo quanto no livro apócrifo do século II “Apocalipse de Pedro”, não parece ter-se tornado dominante no pensamento cristão até por volta do século V dC. Ironicamente, essa visão foi fortemente inspirada pelo filósofo e matemático grego Platão, que não era cristão, e a quem o historiador francês Georges Minois creditou com “a maior influência sobre as visões tradicionais do inferno”.
O Mito de Er de Platão apresenta uma vida futura em que os pecadores são punidos ou recompensados na proporção de suas más ações na vida. Seja qual for sua opinião sobre a existência do inferno, as punições específicas citadas por Platão definitivamente não têm apoio bíblico. Mesmo assim, podem ser detectadas em muitas versões populares de um inferno, mais notavelmente o Inferno de Dante.
Nos tempos modernos, muitas denominações cristãs se afastaram da concepção do Inferno de Santo Agostinho como um lugar físico abaixo da Terra. Por exemplo, desde 1992, através de uma decisão do Papa João Paulo II, ensina-se no Catecismo que o inferno é simplesmente um estado de “autoexclusão definitiva da comunhão com Deus e com os abençoados”.

3. Alguns aspectos do inferno parecem distintamente não cristãos

Vários aspectos da visão de inferno parecem emprestados de outras culturas. Por exemplo, a religião egípcia antiga contava com uma caverna possuindo um “lago de fogo” onde as almas dos ímpios eram punidas por suas transgressões. Os primeiros mesopotâmios também acreditavam que o submundo era subterrâneo, embora não fosse um lugar de castigo eterno.
Uma comparação particularmente interessante pode ser feita entre a ideia popular de inferno e o Zoroastrismo, uma religião antiga originada no que hoje é o Irã. Nos primeiros textos zoroastristas, as almas dos pecadores são julgadas após a morte e condenadas a punição eterna no submundo, que o Livro de Arda Viraf descreve como um poço cheio de fogo, fumaça e demônios. As almas são torturadas de acordo com a gravidade de seus pecados em vida, e tal tortura é presidida por Angra Mainyu, “o grande espírito do mal”. Isso soa muito parecido com o inferno da cultura pop moderna.
Esses detalhes não têm nenhuma base na Bíblia. O Inferno zoroastrista é composto por demônios e governado por uma figura diabólica, enquanto o Diabo cristão e seus seguidores não têm nenhum papel na vida após a morte e são o único grupo claramente destinado a punição em “Tártaro”.

2. O conceito é estranho ao Antigo Testamento

Mesmo as menções fracas ao inferno no Novo Testamento parecem melhores em comparação com o Antigo Testamento, que claramente não mostra nenhum conceito de um lugar de tormento eterno.
Escrituras como Jó 3:11-17 sugerem que a morte é simplesmente uma cessação: “Ora, por que não me foi tirada a vida ainda no ventre de minha mãe? Por que não morri ao nascer? (…) Porquanto, se assim fora, agora estaria dormindo, jazeria em paz e desfrutaria de tranquilidade e descanso. (…) Se minha mãe tivesse tido um aborto, às escondidas, eu não teria continuado a existir e seria como as crianças que nunca viram a luz do dia. Na sepultura termina a ambição e a maldade dos ímpios, ali também repousam em paz os atribulados pela vida”.
Eclesiastes 3:19 soa ainda mais cético sobre a possibilidade de vida após a morte: “Porquanto a sorte do ser humano e a do animal é idêntica: como morre um, assim morre o outro, e ambos têm o mesmo espírito, o mesmo fôlego de vida; de fato, o ser humano não tem vantagem alguma sobre os animais. E, assim, tudo não passa de uma grande ilusão!”.
Mesmo no início da Bíblia, em Gênesis, a punição de Adão e Eva por não ouvir as instruções de Deus e comer do fruto proibido não foi a ameaça do fogo do inferno, mas sim de morte: “porque tu és pó e ao pó da terra retornarás!”.

1. O inferno é simplesmente uma tática de intimidação

Como vimos até agora, um estudo cuidadoso da Bíblia sugere que a ideia de inferno como castigo eterno não é verdadeira, ou não tem base na religião cristã. Então, por que tanta gente, até mesmo dentro da Igreja Católica, insiste nisso até hoje?

Não se pode negar que a ideia de inferno tem sido usada como uma tática de intimidação para manter as pessoas na linha ou atingir um objetivo desejado há muito tempo. Por exemplo, se as pessoas não temessem o inferno, por que comprariam um lugar no céu?
Até figuras como a Rainha Maria I da Inglaterra usaram a doutrina como uma desculpa para perpetrar barbáries. Antes de sentenciar um grupo de protestantes para ser queimado vivo, ela supostamente declarou que tal punição era adequada para seus corpos na Terra, visto que suas almas eternamente queimariam no inferno.
Mesmo nos tempos modernos, o tema “acredite ou você vai para o inferno” é comum, completo com descrições vívidas de ranger de dentes, gritos dos condenados e odor de carne escaldante. Como tantas outras táticas de chantagem, a ideia de “arder no fogo do inferno” pode exercer um apelo poderoso sobre os crentes.
Para finalizar a argumentação contra um inferno, voltemos mais uma vez à parábola do homem rico e Lázaro, frequentemente citada como “prova bíblica” da doutrina do inferno. Muitos poderiam dizer que, na verdade, ela carrega a mensagem oposta. No final da parábola, Abraão não concorda em enviar Lázaro de volta à Terra para advertir os pecadores do destino terrível que os aguarda na vida após a morte justamente porque ele acredita que a justiça só pode vir da crença, ao invés do medo de alguma punição sobrenatural. [Listverse]

Fonte: hype science (http://hypescience.com/10-razoes-biblicas-pelas-quais-o-inferno-pode-nao-existir/?utm_source=taboola&utm_medium=referral). Acesso em: 16/01/2016 às 12h20